O que a expansão da AmazonGo pode nos ensinar?

Em 28 de Setembro de 2018

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Dependendo de quanto você for conectado às áreas de Varejo e Inovação, possivelmente já conhece a loja física da Amazon, a AmazonGo, um mercado que emprega alta tecnologia e opera sem caixas no checkout. Funciona assim: ao entrar na loja, você passa seu celular por um leitor de QR Code que informa ao sistema sobre a sua chegada; então, basta escolher os itens e ir embora. O valor da compra é debitado diretamente na sua conta da Amazon, sem filas nem espera por caixas livres. A primeira AmazonGo foi fundada em 2016, em Seattle.

Pois bem, há uma semana a rede de notícias Bloomberg* anunciou que até 2021 a Amazon considera abrir 3 mil lojas cashierless como essa. O desafio no momento é definir o mix de produtos e reduzir os custos; no projeto da loja de Seattle foram investidos cerca de $1 milhão apenas em software, por exemplo.

O impacto nas ações de supermercados concorrentes foi imediato. Grandes redes, como Walmart e Target, reportaram queda nas vendas.

Esse movimento (de abrir lojas físicas) desafia o pensamento contemporâneo de que tudo está migrando para o digital e que tais estabelecimentos definharão até morrer. O ponto principal aqui talvez seja entender que tudo o que pode ser melhorado por meio da tecnologia está passando por transformações. Não é da morte das lojas físicas que se trata, e sim da morte do varejo como conhecemos hoje.

Em alguns casos, a solução será migrar para plataformas tecnológicas; em outros, passa por reinventar o espaço físico. É o caso das redes de supermercados, por exemplo. O que a AmazonGo está fazendo é aplicar ao varejo a alta tecnologia que poderá gerar otimização de processos, aperfeiçoamento da experiência de compra e melhores resultados.

Nessa perspectiva, determinados itens poderão ser comprados on-line, enquanto produtos de conveniência e comida pronta contribuirão para reforçar o portfólio das lojas físicas.

Em vez da alta variedade, característica fundamental do modelo de negócio on-line, na AmazonGo o objetivo é oferecer conveniência.

Provavelmente, daqui a algum tempo, estaremos de volta aqui discutindo como os algoritmos de preço, tão importantes para o negócio on-line, serão aplicados para determinar valores nas lojas físicas; afinal, já se tem a informação sobre o usuário antes mesmo de ele pegar o produto na prateleira. Inovar na estratégia de precificação, visando potencializar as vendas e captar mais clientes, também pode ser um caminho importante a trilhar. Quem viver verá.

*clique para acessar matéria da Bloomberg  

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