Livro “Tribos: Nós Precisamos que Vocês Nos Liderem”

Por Pâmella Paiva Pedroso, 30 de Junho de 2021

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Publicado em 2018, o livro “Tribos: nós precisamos que vocês nos liderem”, de Seth Godin, trata da sociedade e do poder de liderança sob a perspectiva da existência de “tribos”.

Neste livro, o autor de 10 best-sellers internacionais, utiliza esse termo para se referir a um grupo de pessoas CONECTADAS umas às outras, a um líder e a uma ideia. Com a leitura, somos lembrados que é da natureza dos seres humanos a necessidade de pertencimento a determinados grupos, a uma tribo. A formação de tribos se dá há milhões de anos, como um de nossos mecanismos de sobrevivência mais poderosos e fundamentalmente pelo “senso de pertencimento” que possibilita a contribuição para – e se beneficiar de – um grupo de pessoas com opiniões semelhantes.

O autor enfatiza que a palavra CONEXÃO é o destaque do conceito “tribos”: grupos sem uma liderança engajadora e um propósito claro, são somente grupos cujos integrantes acabam se dispersando e não se conectando de fato a um movimento, a uma causa, a um projeto, ao que for.

É possível enxergar essa questão com clareza ao repararmos na Era Digital que estamos vivendo. A internet se tornou um facilitador para que movimentos ganhassem escala e engajamento maiores. Entretanto, o autor deixa claro que o real poder das tribos não tem nada a ver com a internet, mas tudo a ver com as pessoas, isto é, para liderar não é preciso um teclado de computador e sim a vontade de fazer algo acontecer.

“A liderança autêntica e generosa sempre irá derrotar os esforços egoístas de alguém que faz isso simplesmente porque pode!”

Essa citação do livro pode ser relacionada com os movimentos atuais, uma vez que há uma geração de pessoas que busca se conectar com um propósito ao invés de fazer algo apenas por fazer. Essa postura faz com que lideranças que não sejam realmente autênticas percam força e suas respectivas tribos.

E quem são os novos líderes? O autor os chama de “hereges”. Mas por quê?

A palavra “herege” vem do termo “heresia” que surgiu no século XVIII com a Igreja Católica. Uma heresia era uma doutrina ou linha de pensamento que se opunha aos dogmas impostos pela Igreja naquela época, assim quando alguém tinha um pensamento diferente dos dogmas da Igreja praticava heresia, sendo considerado um herege.

Tendo isto em mente, o autor utiliza este termo para falar do perfil dos novos líderes, aqueles que desafiam o status quo, que saem na frente das suas tribos, que criam movimentos. O mercado atual recompensa (e adota) os hereges.

O autor explica esse reconhecimento dos hereges pelo mercado alegando que, de repente, os hereges criadores de problemas e agentes de mudança não são meramente pedras no sapato — eles são a chave para o nosso sucesso.

Enxergamos hoje que as Empresas, que possuem uma visão de futuro estratégica voltada à Inovação, buscam por pessoas que são inquietas, influenciadoras, que mais do que bater um cartão e entregar o que lhe é solicitado, enxergam no dia a dia oportunidades de fazer diferente, de mobilizar o time.

Fora do ambiente organizacional, o conceito é o mesmo. Pessoas se conectam por causas que acreditam, que são lideradas por pessoas que foram corajosas, ousadas e que mobilizam e engajam sua respectiva tribo.

Neste sentido, ressalta-se que para o autor um grupo precisa de apenas duas coisas para ser uma tribo: um INTERESSE EM COMUM e uma FORMA DE SE COMUNICAR.

Considerando a comunicação, vale destacar que um líder autêntico evita uma comunicação impositiva, ele usa a paixão e ideias para liderar pessoas, ao invés de ameaças e burocracia para gerenciá-las.

Godin traz a reflexão de que a liderança não é algo difícil. É, você deve estar pensando “Como assim?”, “Não é simples ser um líder!”. Mas o livro tem essa abordagem porque, na verdade, fomos treinados por anos para evitar a liderança, nossa natureza incentiva à permanência em uma zona confortável e segura, longe de riscos e de críticas.

A mudança amedronta! E a liderança está escassa justamente porque poucas pessoas estão dispostas a passar pelo desconforto exigido pelo ato de liderar.

Por fim, o principal objetivo do livro é convencer as pessoas que todas possuem habilidades necessárias para fazer uma enorme diferença e que deveriam fazer isto, deveriam se tornar “hereges”: não esperar a etapa da vida na qual estejam com “o emprego certo” ou construam a organização certa ou subam três degraus como líder em uma corporação para ser um líder. “Você pode começar agora mesmo!”

Pâmella Paiva Pedroso

Pâmella Paiva Pedroso

Consultora Sênior na Pieracciani

Formada em Engenharia de Produção no Centro Universitário da FEI e em curso técnico de administração de empresas, atua como consultora há 4 anos e meio na área de funding, com foco em gestão de projetos de Inovação Tecnológica. Possui experiências anteriores na área de Engenharia do Desenvolvimento do Produto e Engenharia Civil.

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