8 perguntas que os empregadores deveriam fazer sobre o novo coronavírus

Por Pieracciani, 15 de Abril de 2020

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8 PERGUNTAS QUE OS EMPREGADORES DEVERIAM FAZER SOBRE O NOVO CORONAVÍRUS

Fonte: Jeff Levin-Scherz e Deana Allen Harvard Business Review, 02 março 2020. >Disponivel aqui. 

Tradução e adaptação: Isabella Pita Cotrim e José Hernani Arrym Filho, da Pieracciani Desenvolvimento de Empresas Ltda.

O surto da Covid-19 teve início em 2019 em Wuhan, na China, e até 13 de abril de 2020 se espalhou por pelo menos 144 países, segundo dados oficiais, seriam quase 1,9 milhão de infecções e 114.983 mortes. A OMS (Organização Mundial da Saúde) declarou que o novo coronavírus é dez vezes mais letal do que o vírus responsável pela gripe A (H1N1), responsável pela pandemia de 2009.

Dada a situação, maior parte dos países afetados fecharam fronteiras e impuseram quarentenas, o que causou cancelamento de viagens, fechamento do comércio e adiamento de eventos presenciais. Os impactos humanos e econômicos nos negócios são desastrosos e o esforço de recuperação é incalculável, especialmente para países emergentes. Talvez aconteça a maior recessão da história do nosso País. Até 12 de março o Banco Mundial estimativa uma retração de 5% do PIB nacional em 2020. A previsão para 2021 e 2022 é de 1,5% e 2,3%, respectivamente. Essas estimativas estão no relatório "A economia nos tempos da Covid-19" .

O Brasil declarou estado calamidade pública, o que é inédito em nível federal. Segundo Diário Oficial, o decreto deve durar até 31 de dezembro deste ano, e gera impacto direto nas normas relacionadas ao cumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal.

A pandemia é um alerta para as empresas revisarem cuidadosamente as estratégias, políticas e procedimentos que possuem para proteger seus colaboradores, clientes e operações nesta e em futuras epidemias (ou pandemias). Aqui estão oito perguntas que elas devem fazer para se adaptarem e responderem este cenário.

1. COMO PODEMOS PROTEGER MELHOR NOSSOS COLABORADORES DA EXPOSIÇÃO DO VÍRUS NO LOCAL DE TRABALHO?

O novo Coronavírus se espalha amplamente e facilmente através das gotículas respiratórias provenientes da tosse e espirros. Também é possível se infectar ao tocarmos uma superfície ou objeto contaminado e, em seguida, tocarmos nosso nariz ou boca. Os centros de controle e prevenção de doenças aconselham que os colaboradores:

• Fiquem em casa se eles tiverem sintomas respiratórios (tosse, espirros, falta de ar) e/ou uma temperatura acima de 37 °C.
• Deixem o local de trabalho se eles desenvolverem esses sintomas.
• Utilizem, como escudo de tosses e espirros, um lenço de papel, cotovelo ou ombro (nunca com as mãos).
• Lavem as mãos frequentemente com água e sabão por pelo menos 20 segundos ou usem um desinfetante para as mãos à base de álcool 70%.

Acrescentamos que é necessário, e sensato, evitar apertar as mãos para reduzir o risco de propagação da infecção.
Como a lavagem das mãos é uma das defesas mais eficazes, os empregadores precisam garantir que os funcionários tenham acesso imediato às instalações de lavagem e que sejam mantidas bem abastecidas com sabão e (idealmente) toalhas de papel. Existem evidências de que o ato de secar as mãos em toalhas de papel tem menos probabilidade de espalhar vírus quando comparado aos secadores a jato.

Desinfetantes para as mãos à base de álcool devem ser distribuídos por todo o local de trabalho, e todas as superfícies tocadas com frequência, tais como estações de trabalho, bancadas e maçanetas, devem ser limpas rotineiramente. O aumento da limpeza de áreas comuns usando agentes de limpeza padrão também podem reduzir o risco de propagação de doenças respiratórias.

A menos que estejam prestando assistência médica, não há necessidade de as organizações armazenarem máscaras faciais, pois elas são escassas e fazem falta hoje, especialmente no sistema de saúde brasileiro, muito embora seja recomendável seu uso por pessoas saudáveis para se proteger da contaminação (máscaras seguras podem ser feitas domesticamente).

De acordo com a pesquisa realizada pela Willis Towers Watson, muitas empresas multinacionais implementaram uma série de ações para proteger seus colaboradores. Como era de se esperar, a China está à frente nisso. Quase 90% das organizações pesquisadas no país aumentaram o acesso dos funcionários aos desinfetantes para as mãos e mais de 80% aumentaram as comunicações de saúde pública (como pôsteres sobre prevenção de propagação) e estão direcionando seus colaboradores para trabalhar em casa, se puderem. Na América do Norte, região bastante afetada pela Covid-19, as empresas estão sendo proativas: 70% já têm ou planejam aumentar as comunicações e mais da metade têm ou planejam aumentar o acesso a desinfetantes para as mãos.

2. QUANDO DEVEMOS EXCLUIR TRABALHADORES OU VISITANTES DO ESPAÇO DE TRABALHO?

Os colaboradores devem ficar em casa ou ir para casa se tiverem sintomas da doença. Porém, alguns funcionários podem inadvertidamente resistir a tirar dias de folga e se deslocarem para o trabalho, onde poderão infectar outras pessoas. Dado à ameaça que essa pandemia representa, os gerentes não devem hesitar em enviar colaboradores que apresentem sintomas da Covid-19 para casa.

Da mesma forma, funcionários ou visitantes sintomáticos e/ou de grupos de risco devem ser mantidos separados do restante do time e convidados para deixar o local de trabalho e obter avaliação médica, minimizando sua exposição pública. Eles também devem evitar locais públicos e transportes coletivos e, idealmente, devem ficar a pelo menos um metro e meio de distância dos outros, a menos que estejam usando uma máscara.

Se o Covid-19 se espalhar pela comunidade, as empresas podem verificar as temperaturas usando termômetros e considerar excluir funcionários ou visitantes com temperaturas acima de 37 °C. A temperatura por si só não é uma maneira precisa de avaliar os riscos, porém, uma temperatura elevada em combinação com sintomas respiratórios é o melhor indicador de possível infecção.

As organizações de saúde pública recomendam que as empresas impeçam os funcionários ou visitantes de irem ao local de trabalho por um período de 14 dias após uma exposição "média" ou "de alto risco" ao vírus. Isto é, ter estado em contato próximo com alguém infectado ou que viajou para uma região de alto risco. 43% dos empregadores norte-americanos, conforme pesquisa realizada pelos autores deste artigo, disseram que agora proíbem, por 14 dias, a visita de funcionários ou visitantes que voltaram recentemente da China. As idas ou o retorno ao local de trabalho podem acontecer após este período de afastamento, se nenhum sintoma surgir.

3. DEVEMOS REVISAR NOSSAS POLÍTICAS DE BENEFÍCIOS NOS CASOS EM QUE OS FUNCIONÁRIOS SÃO IMPEDIDOS DE TRABALHAR?

A probabilidade de um número crescente de funcionários não poder mais trabalhar porque estão doentes ou porque devem cuidar de outras pessoas significa que as empresas devem rever já as suas políticas de folga remunerada e licença médica. Políticas que dão aos funcionários a confiança de que eles não serão penalizados e podem tirar uma licença médica são importantes para incentivar a autodenúncia e reduzir a exposição potencial.

Empregadores deveriam rever, e comunicar abundantemente e de modo cuidadoso, a sua política de remuneração se os locais de trabalho forem fechados ou se colaboradores forem dispensados.

Muitas empresas ao redor do mundo e em nosso País já fecharam ou suspenderam suas operações (total ou parcialmente) por causa da pandemia. Elas deveriam buscar a inclusão do Covid-19 em suas apólices de seguro-saúde como qualquer outra doença, e a licença médica poderia ser aplicável, muito embora a ausência possa durar mais tempo do que a licença médica concedida.

Pesquisa dos autores deste artigo constatou que mais de 90% dos empregadores na China pagavam seus trabalhadores integralmente e mantinham todos os benefícios durante as folgas. As empresas devem conceber políticas claras sobre isso e comunicá-las adequadamente.

4. MAXIMIZAMOS A CAPACIDADE DOS FUNCIONÁRIOS DE TRABALHAR REMOTAMENTE?

Embora muitos empregos no varejo, manufatura, distribuição e assistência médica, dentre outros, exijam a presença física dos colaboradores, o trabalho remoto, deve ser incentivado, se o trabalho ou a viagem implicarem em risco de exposição ao vírus. A videoconferência é a melhor alternativa preventiva.

O bom senso exige que os empregadores sejam flexíveis em relação ao trabalho remoto e criem a infraestrutura necessária para tal. Por força da pandemia, o governo brasileiro editou a MP 927/2020, que trata de acordo individual para a prestação de teletrabalho (home office) em período de calamidade pública. Confira o artigo da Exame com 10 dicas para o home office.

5. TEMOS SISTEMAS CONFIÁVEIS PARA COMUNICADOS SOBRE SAÚDE PÚBLICA E EM TEMPO REAL COM OS FUNCIONÁRIOS?

Rumores inverídicos e medos dos trabalhadores podem se espalhar tão rapidamente quanto um vírus. É recomendável que as empresas disseminem junto aos seus colaboradores, incluindo aqueles que não estão no local de trabalho, atualizações regulares sobre a pandemia, as informações e os controles disponibilizados pelas autoridades sanitárias de governo, os colaboradores eventualmente infectados e formas simples de prevenção e autodiagnóstico dos sintomas.

Igualmente importante é a política da empresa em relação ao trabalho remoto, inclusive sobre a permissão para retornar (mesmo que eventualmente) ao local de trabalho.Os comunicados internos devem ser examinados e cuidadosamente coordenados para evitar que iniciativas inconsistentes sejam comunicadas por alguém em posição de liderança.
Em outras palavras, o momento exige que as organizações mantenham informações atualizadas, por todas as mídias ao seu dispor, para todos os funcionários e avaliem a efetividade desta sua comunicação de modo periódico. Se você ainda não tem em uso bons recursos de contato com sua equipe, agora é a hora para criá-los ou aperfeiçoá-los.

6. DEVEMOS REVISAR NOSSAS POLÍTICAS SOBRE VIAGENS DE NEGÓCIOS INTERNACIONAIS E DOMÉSTICAS?

Presentemente vivemos situação de fechamento de fronteiras por vários países no mundo.

A maioria das empresas pesquisadas já restringiam em fevereiro viagens para Ásia. Mesmo onde passará a haver flexibilização de funcionamento, é prudente limitar as viagens de negócios àquelas áreas onde a Covid-19 foi mais prevalente - tanto para prevenir doenças quanto para a perda de produtividade devido à quarentena ou eventual afastamento de colaboradores do local de trabalho após a viagem.

As empresas devem acompanhar os avisos da OMS e das autoridades sanitárias locais para deliberar sobre os casos de viagem, bem como determinar limites de autoridade para definir quais viagens de negócios devem ser canceladas ou adiadas.

Hoje no Brasil é altamente recomendável que as pessoas evitem todos os deslocamentos físicos não essenciais. E isto pode ser exemplificado não apenas pelo que o nosso Ministério da Saúde divulga assiduamente, disponível aqui, mas também pelos comunicados recentes das embaixadas da Alemanha (em 10 de abri) e da Itália (em 11 de abril) aos seus cidadãos, para que voltem aos seus países de origem.

7. DEVEMOS ADIAR OU CANCELAR CONFERÊNCIAS OU REUNIÕES AGENDADAS?

Há evidências científicas de que o distanciamento social pode atrasar a pandemia e potencialmente salvar vidas.
A maioria das reuniões e conferências deve ser preferencialmente convertida de presencial para virtual. Se for mesmo inevitável o encontro presencial, ofereça espaço para que os participantes fiquem a pelo menos um metro e meio de distância uns dos outros. Garanta que as instalações estejam adequadas para lavagem das mãos e ofereça máscaras.

8. OS SUPERVISORES/GERENTES SÃO TREINADOS ADEQUADAMENTE?

Qualquer que seja a forma do treinamento sobre as implicações causadas pela Covid-19, os líderes devem ter acesso imediato a informações apropriadas (como controle de infecções e políticas da empresa) e precisam saber com quem entrar em contato para relatar exposições. Os supervisores ou outras pessoas designadas devem notificar imediatamente as autoridades locais de saúde pública sobre qualquer suspeita de exposição. Uma pesquisa na web por “departamento de saúde local” ou nome da cidade ou município geralmente gera informações de contato precisas.

Em relação a boas práticas, visite o portal da Agência Nacional de Vigilância Sanitária - ANVISA integra o Centro de Operações de Emergência (COE) – Coronavírus, instituído pelo Ministério da Saúde, que tem como objetivo preparar a rede pública de saúde para o atendimento de casos no Brasil.
Por fim, o planejamento diligente para emergências globais de saúde pode ajudar a proteger funcionários, clientes e negócios. Mas os planos devem ser tão bons quanto a sua execução. As empresas devem usar a situação atual para otimizar e testar seus planos de enfretamento de crises. Uma ação eficaz do empregador diante da pandemia da COVID-19 pode salvar vidas e ajudar organizações a conquistarem a confiança de longo prazo de seus colaboradores, clientes (atuais e potenciais), investidores (atuais e potenciais) e demais partes interessadas.

Para conhecer iniciativas cidadãs implementadas neste momento por empresas instaladas aqui no Brasil, visite aqui

 

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Um Time multidisciplinar preparado para pesquisar, conceber soluções e agir de forma inovadora.

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