A Bahia, pronta para inovar

Por Paulo Pietrobon, 04 de Julho de 2018

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Você já conheceu alguém que percebeu que estava errado, mas por razões culturais, para não sair da zona de conforto, por não querer arriscar uma posição de privilégio, escolheu a inércia? Assim tem agido a Bahia nas últimas duas décadas.

Isso não quer dizer que ela não mudou nesse período. O problema é que mudou apenas na superfície quando na verdade precisava de mudanças estruturais. Não transformou o seu modelo de produção, e muito menos sua cultura. Ela continua com uma economia baseada em organizações departamentais e com uma sociedade que investe no desenvolvimento de forma difusa. Indo direto ao ponto: o mercado baiano não conseguiu consolidar redes intersetoriais; também não conseguiu ter uma visão sistêmica dos seus problemas e potenciais; nem planejar de forma integrada; e muito menos trabalhar em projetos estratégicos de forma colaborativa e em rede.

A Bahia tem a consciência de que precisa mudar, porque está sofrendo pressões pelos preocupantes dados sociais e econômicos. Mas ela tem tido dificuldade em se despir de uma cultura centralizadora e resistente à inovação, mesmo enxergando pela janela um mundo que acelera suas transformações trabalhando em rede (em alguns casos, em Estados vizinhos). E esse quadro a coloca cada vez mais longe das oportunidades contemporâneas, interconectadas e globais.

A raiz dessa nova realidade global está em uma economia organizada em rede - que produz, compartilha e aplica conhecimentos em produtos e serviços inovadores. Foi assim no Vale do Silício e esse modelo tem se espalhado pelo Brasil (Porto Digital, em Recife; e Sapiens Park, em Florianópolis; só para citar dois exemplos) e pelo mundo. Para entender a raiz da pressão, a Globalização fez com que esse dinamismo econômico, baseado em conhecimento, se tornasse o fundamento para a geração de desenvolvimento e riqueza no mundo atual. Ou seja, esse novo mercado global, em rede e intensivo em conhecimento, revolucionou tecnologias, o modelo de produção e a cultura global.

De volta à Bahia, ao conversar com gestores de cada setor sobre a possibilidade de atuar em rede, ouvimos que há deficiências dentro dos Governos, das Universidades e das Empresas. Ok. Mas, e nos lugares citados acima? As organizações são perfeitas? Não. Na verdade, o grande atributo desse modelo de governança em rede (Tríplice Hélice) é que ao convergir organizações de diferentes setores, um supre as deficiências do outro. O que tem capacidade de gestão supre quem é burocrático; o que produz conhecimento e tecnologia supre quem carece desses insumos para ser competitivo; o que elabora e aplica as leis supre as dificuldades de quem sofre com normas injustas; e assim por diante...

Assim, ao mesmo tempo em que as diferenças trazem desafios, ao colocar Empresas, Governo e Universidade juntos - ao redor da mesma mesa para planejar, inovar e promover o desenvolvimento - conseguimos convergir recursos intersetoriais para a realização de uma  estratégia comum, e somos mais efetivos na geração de impactos econômicos e sociais.

Por outro lado, a Bahia está em ebulição, e pronta para mudar de fase. Nos últimos dois meses foram realizados inúmeros eventos que integraram FIEB, ABAS, Universidades e Associação Comercial, como o I Fórum Nacional de Ecossistemas de Startups, dentro da Campus Party Bahia; o Tech UK Connect em parceria com o Consulado do Reino Unido; o I Fórum Baiano de Oportunidades e Negócios Internacionais, (CEERI/FIEB); e grandes empresas abriram suas portas para realizar eventos de Inovação Aberta - onde startups maduras apresentarem pitches (gerando negócios); entre outros exemplos.

Ou seja, a vontade já existe e a mudança está latente. Já temos um ecossistema capaz de empreender, inovar e levar maior competitividade às nossas cadeias produtivas tradicionais: Petroquímica, Agronegócio, Alimentos e Bebidas, Automobilística, Mineração, Turismo e Economia Criativa. Precisamos apenas mudar o mind set dos nossos líderes para entrarmos com força nesse novo momento histórico. Essa mudança de mentalidade demandará conhecimento técnico e tecnológico. A experiência e os conhecimentos acumulados pela empresa de consultoria Pieracciani, que atua apoiando empresas nacionais e transnacionais em seus processos de inovação no Brasil (via Educação,  Consultoria e Funding), representa um ativo que pode ser de grande valia para preencher esse gap baiano. Há uma grande oportunidade no horizonte.

Paulo Pietrobon

Paulo Pietrobon

Coordenador do LABPROJ

Paulo Pietrobon é coordenador do LABPROJ - Laboratório de Projetos Institucionais (IHAC/UFBA); Diretor de Projetos da ABAS - Associação Baiana de Startups; e Coordenador de Projetos Internacionais da CONAJE - Confederação Nacional de Jovens Empresários.

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